
Dungeon of Death foi lançado exclusivamente para o Commodore PET e era uma variante de outro jogo chamado The Game of Dungeons (conhecido como DnD).
O PET (Personal Electronic Transactor) foi um microcomputador/computador doméstico produzido pela Commodore a partir do final da década de 1970. Embora não tenha sido um grande sucesso de vendas fora dos mercados educacionais do Canadá, Estados Unidos e Reino Unido, foi o primeiro computador completo produzido pela Commodore e se constituiria na base para o futuro sucesso da empresa pelos computadores VIC-20 e 64.
| Commodore PET |
O Dnd original foi programado para o mainframe PLATO, na Universidade de Illinois, Urbana - Champaign, em meados de 1975. Aqui cumpre ressaltar que a história dos CRPGs é pacífica em dois pontos: primeiro que os jogos desenvolvidos para o sistema PLATO marcaram o nascimento do gênero e, segundo, que a autoria de DnD é atribuída a Gary Whisenhunt e Ray Wood.
| DnD original, escrito para o mainframe PLATO. |
Em algum momento impreciso da história, o estudante Daniel Lawrence, da Universidade de Purdue teve acesso ao código de DnD, adicionando algumas inovações e reprogramando o software para o sistema operacional TOPS-10, no mainframe DEC. Posteriormente, Lawrence percebeu que havia algum potencial comercial no jogo, promovendo algumas melhorias, o que deu origem a Telengard (1982).
A partir daí, outras dezenas de variantes explodiram aqui e acolá, quase todas disponíveis como freeware e projetos acadêmicos.
Dungeon of Death foi uma dessas primeiras e numerosas dessas variantes, escrita por C. Gordon Walton. É também um dos poucos jogos existentes que não decorreram da versão de Daniel Lawrence. Foi publicado pela Instant Sofware (Peterborough, New Hampshire), uma pequena companhia sem grandes sucessos comerciais, com a possível exceção de Santa Paravia e Fiumaccio (1978), conhecido jogo de estrategia.
O objetivo do Dungeon of Death é descer ao décimo segundo nível de um calabouço e recuperar o Santo Graal do covil de Smaug the Dragon (acho que isso provavelmente viola alguns direitos autorais).
O jogador, ao longo da jornada, vai se deparar com pilhas aleatórias de tesouros, baús, poções e encontros aleatórios. O bestiário inclui criaturas como Vampiros, Trolls, Balorgs, Bruxos e outros inimigos típicos de Dungeons and Dragons.
O jogador se move por um pequeno mapa através de uma masmorra de layout fixo. Os encontros aleatórios ocorrem enquanto você se movimenta pelo calabouço. Os níveis mais profundos da dungeon são acessados a partir de conjunto de escadas.
O combate é simples, sem grande variedade tática/estratégica, consistindo em lutar, fugir (às custas de entregar todo o seu ouro), ou lançar um feitiço. Como a maioria das variantes dnd, o jogador é, ao mesmo tempo, um lutador e um usuário de magias.
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| Enfrentando um Troll de Pedra. Atributos padrão Dungeons and Dragons e opções de batalha. |
Todo o algoritmo de batalha é executado em plano de fundo. Ao selecionar a opção lutar/lançar um feitiço, o jogador apenas recebe o resultado da batalha, informando se a luta foi exitosa ou não. Uma derrota implica na perda de pontos de vida.
Os baús de tesouros podem conter itens valiosos como escudos, armaduras e armas mágicas ou, para um guerreiro de pouca sorte, explosões e maldições.
O manual informa algumas inovações e mecânicas avançadas para a época. Alguns inimigo possuem resistências e fraquezas, sendo imunes a certos tipos de magias e fracos contra outras. Vampiros são vulneráveis a "bola de fogo", mas resistem ao "sono". Trolls de Pedra são encantados com certa facilidade, etc. Certos monstros possuem movimentos especiais, tais como a capacidade de envenenar ou danificar a sua armadura.
Existe, ainda, uma variedade de poções, com efeitos diferentes. Isso certamente adiciona uma certa mecânica de gerenciamento e interpretação de papéis pouco usual na época. Não era possível notar o mesmo recurso em jogos como Beneath Apple Manor e Akalabeth: World of Doom.
| Ecrã de vitória! |
Assim, Dungeon of Death foi um jogo simples, pouco conhecido, baseado no DnD original e programado para a plataforma Commodore PET. Não há tanta certeza quanto a sua verdadeira relevância para a história dos CRPGs, mas certamente é possível ver alguns avanços aqui, tais como sistemas de forças/fraquezas e poções de efeitos variados. Recursos como níveis e experiência, encontros aleatórios fora de combate e seleções de feitiços, demorariam alguns anos para serem explorados com alguma profundidade.
Não houveram tantas pessoas que adquiriram um Commodore PET como computador pessoal, embora pudesse ser adquirido por quantias significativamente mais baixas do que exigido para um Apple. A maioria dos jogadores de Dungeon of Death o executaram clandestinamente em máquinas escolares e a história do jogo é bastante nebulosa, sendo quase impossível encontrar material escrito sobre a obra. Contudo, existe uma cópia do manual original no Museum of Computer Adventure Game History, que pode ser acessado neste link.



